(Source: sandandglass)

#prosa #literatura #livro
“Sexta-feira, meio da tarde de um dia de trabalho estafante, o que melhor do que um café pra ajudar a aguentar o restinho da semana?
Papo vai, papo vem, mas o dever me chama. Não queria que a conversa acabasse. Resolvi...

#prosa #literatura #livro 

“Sexta-feira, meio da tarde de um dia de trabalho estafante, o que melhor do que um café  pra ajudar a aguentar o restinho da semana?

Papo vai, papo vem, mas o dever me chama. Não queria que a conversa acabasse. Resolvi arriscar um convite.

- Vamos fazer algo mais tarde? - eu digo hesitante.

- Claro, vamos sim. - Ela responde com um sorriso fácil que me surpreende.

4 horas depois eu estava de volta ao trabalho de banho tomado, roupa cuidadosamente escolhida, por surpresa da minha mãe que há tempos não me via pensar tanto naquilo que eu iria vestir. Cheguei um pouco atrasado e preocupado com o meu descuido com o tempo. Procuro por ela, vou no banheiro, me arrumo mais um pouco, tento parar de ficar nervoso. Cadê ela? Espero. Penso. Me preocupo. Ela manda uma mensagem: “Vou demorar um pouco, não desiste de mim kkkkkk”. Ufa. Minutos depois ela chega, desce do carro e aquilo sorriso tranquilo, me acalma. Agora sim, ufa mesmo. Damos uma volta no Sesc e resolvemos ir no bar em frente tomar uma cerveja. O papo flui fácil, viagem, interiores e exteriores compõe a temática familiar a ambos. Devo confessar que fiquei surpreso com o quão bonita ela é, me pergunto como não havia reparado nisto antes e tento não ficar tão bobo com a visão a minha frente.

São Thomé das Letras, manias, Ilha do Cardoso, administração, sorrisos, carreira, defeitos, uma série de assuntos fluem sem a mínima necessidade de se pensar muito sobre. Mas depois de eu citar um dos meus personagens da história favoritos, Sir Alan Watts, uma pergunta que, de longe eu não esperava surgir, com um sorriso agora um pouco tenso, mas mesmo assim gracioso ela profere.

- Você já tomou ayahuasca?

Posso perceber o meu semblante surpreso, mas respondo afirmativamente e, curioso como sempre, pergunto, intrigado o porquê da pergunta. Então parece que a conversa se transfere para outro nível de conexão, muito mais profunda. Conversamos sobre nossas experiências com o chá. Nossos caminhos até ele, os seus reflexos e reverberações. Fico ainda mais surpreso quando, sem a menor intenção, vejo que fiz marejar os seus olhos com a minha interpretação de uma de suas mirações. Se eu tinha alguma dúvida que nada nesta vida é por acaso, talvez este sido um sinal dos céus pra me convencer, parecia que precisávamos estar a li e, como em poucos momentos, nós estávamos ali e em mais nenhum lugar, cem porcento presentes. E neste momento de presença revelo o que acho do silêncio e do olhar e de como todas estas trocas são poderosas, nós percebendo-as ou não, falo filmes do Richard Linklater que abordam o tema e proponho uma experiência vinda a mim pelo ‘Waking Life’, um minuto sem falar, apenas a troca de olhares, por um minuto, se possível.

Eu tentava, de maneira parca, mas dentro do possível para o momento, não me perder dentro daqueles olhos verdes que transbordavam vida como mata virgem, pura e cheia de  mistérios que a natureza só revela àqueles que de fato a merecem. Não sei quanto tempo passou, um minuto, dois, uma hora, aquilo foi anacrônico, atemporal, realmente não sei, só posso dizer que por aquele pedaço de tempo/espaço as leis da física talvez tenha sido revogadas, pelo menos pra nós.

Não sentia mais de ficar lá, era energia demais pra ficar sentado na mesa de um bar com muita gente de outra estripe, outra sintonia e eu um pouco atônito sem saber muito bem o que fazer sugeri uma caminhada, que pra minha surpresa, foi muito bem aceita. Surpresa. Talvez esta seja a sensação da noite, sinto que posso e precisarei repeti-la outras vezes, já te dou de barato.

Fomos andando rumo a outro bar, sem pressa, apreciando o bom tempo e todas as peças que compõe a noite de nosso cinza habitat. Durante a caminhada aproveitei a minha falta de fôlego para escutar mais e cada história eu ficava mais fascinado com a sensibilidade que ela falava de cada pessoa que compõe a sua história e ao mesmo tempo a firmeza com que a sua personalidade se perfazia de cada um deste momentos para gerar a mulher que ela era. Chegamos num ponto da cidade aonde havia um desenho seu, o primeiro, ainda inacabado, mas que demonstrava a grandeza daquilo que havia dentro dela. Era quase uma foto interna, de maneira pictórica todos aqueles sentimentos e sensações que eu sentia estavam ali naquela parede para todo mundo ver, quanta coragem e mais um ponto pra minha caixinha de surpresa …”

lyriciss:
“ Yeezy taught you well.
”

lyriciss:

Yeezy taught you well.

(Source: welovekanyewest, via jloveimages)

porn4ladies:
“25, 23.
”

porn4ladies:

25, 23.

(via gone-girrl)

nubiansolis:
“@ monicamateo”
samonyc:
“A letter from Keith Haring, to a young Basquiat
”

samonyc:

A letter from Keith Haring, to a young Basquiat

(Source: separaet)

“Existe apenas um instante e ele é o agora. E ele é a eternidade.”
Cento e cinquenta batimentos por segundos
vida pura condensada em segundos
folia, festa e sobrevivência
movimentos desordenados em busca de liberdade
onde um eu te amo
pode ser...

“Existe apenas um instante e ele é o agora. E ele é a eternidade.”

Cento e cinquenta batimentos por segundos

vida pura condensada em segundos
folia, festa e sobrevivência
movimentos desordenados em busca de liberdade
onde um eu te amo 
pode ser confundido.

vai
se
foder.

todo momento é sagrado
cópula
concepção
e morte
a pulsão de vida é tão bonita.

Cabelos vermelho-fogo irradiando energia por toda a noite, como se criassem um sol em pleno opúsculo, com teus pés pequenos que mal forma tem e ainda sim reverberam por toda a minha casa. Todos os ídolos morreram. Insisto na fênix. Sou sísifo, faço e refaço a obra por mim mesmo criada diariamente. O sorriso não é mais o mesmo, mas a alegria sim. Pássaros de ruído não identificável percorrem o espaço-tempo a procura de paz. Aquilo que está fora do som não importa, vida que segue.

Ainda espero
que teus calcanhares amassem o pouco que resta de mim
a vida quiçá é isto
se não for
não é nada muito longe
tic, tac, cinco, sete, vinte e poucos anos se foram, um pedaço e toda a eternidade, é só isto que existe
agora.

J. S. Bueno

(Cena de Waking Life, Richard Linklater, 2001)

“Nossa crítica começou como todas as críticas começam, com a dúvida”
Estou no meu segundo semestre do técnico em edificações de um colégio do Centro Paula Souza. Na minha classe existe uma gama muito grande de pessoas. Homens, adolescentes, adultos,...

“Nossa crítica começou como todas as críticas começam, com a dúvida”

Estou no meu segundo semestre do técnico em edificações de um colégio do Centro Paula Souza. Na minha classe existe uma gama muito grande de pessoas. Homens, adolescentes, adultos, mulheres, muito adultos, brancos, gays, negros, mórmons, enfim, é uma turma muito heterogênea, assim como é a população da nossa Terra Brasilis.

E o meu curso é de exatas (pasmem, eu faço coisas de exatas), então não tem muito, pra não falar nada, de espaço para debates, problematizações e cirandas. Porém hoje durante a minha aula de PIP - Projetos de Instalações Prediais - enquanto eu descontraia um pouco na aula, questionei duas meninas, que até então eu pouco sabia sobre a vida, qual era o sentido da vida pra elas. Para minha surpresa, ambas eram evangélicas, apesar de terem “linhas diferentes”. Então para a conversa ir para o tema religião foi um pulo. Assim comecei a questioná-las sobre seus preceitos, costumes e características de sua fé, tudo isto na maior tranquilidade e boa vontade. O papo foi crescendo, crescendo, entramos em assuntos polêmicos, como a questão da sexualidade, consumo de substâncias alteradores de consciência, céu, inferno, purgatório e tudo mais.

Quando eu parei pra dar conta, os dois professores e praticamente todos os alunos participavam do debate que estava se tornando caloroso, todos com suas opiniões formadas e com suas dúvidas sobre a cultura dos outros tão vívidas quanto. Nada que eu não estivesse deveras acostumado, dada a minha caminhada pelos mais diversos tipos de cafés filosóficos, rodas de debate, palestras e tudo mais que a esquerda adora, senão por um detalhe, no final, todos, digo sem medo de ser leviano, todos entraram num consenso, não importa o que você faça, seja ou acredita, só não seja um cuzão com os outros.

Claro que isto é muito difícil de ser aplicado, vivido e experienciado cotidianamente, mas pra mim foi lindo demais ver aquilo e por isto acho mais que justo relatar este fato, porque acredito que é a partir de diálogos como o de hoje, onde pessoas de várias linhas conseguiram entrar num acordo, que podemos nos esforçar e nos espelhar para criarmos cada vez mais unidade ao invés de individualidade. Talvez o que todos os filósofos, sábios, profetas e messias que já passaram na terra queria dizer era isto que a minha classe, 2º TEDN, me ensinou hoje. E nada mais justo que eu ser grato a esta oportunidade.

J. S. Bueno

(Cena de Waking Life, Richard Linklater, 2001)

“Muito daquilo que percebemos não pode ser expressado. É inefável”

Quando somos crianças nossos pais e todos adultos a nossa volta não vêem a hora de nos ver falando. Be-a-ba. Papai. Mamãe. Qualquer coisa que seja. E assim começamos nossa caminhada rumo ao domínio linguagem, sempre expandindo o nosso vocabulário, corrigindo nossa pronúncia, aprendo a sintaxe mais correta. 

Mas aquilo que não é dito é o peso que as palavras podem ter, longe de qualquer regra ortográfica. Esse poder da palavra é vivo, mutável e instável. Existem “adeus” devastadores, que pesam mais que mil holocaustos no coração daquele que escuta. Há também aquele “boa noite” que, apesar de toda merda cotidiana, lhe faz valer todo o dia. 

Não é a toa que “obrigado”, “de nada”, “com licença”, “por favor”, são palavras mágicas. Ali o mais importante não é combinação de letras ou o som que elas produzem, mas sim o poder da gentileza carregada em cada uma delas. Já diriam alguns mestres do passado que o mundo é feito de palavras e que aquele que sabe quais usar poderia de tudo fazer.

Eu que sempre usei mal desse poder
tento agora reorganizar meu alfabeto
para que do passado torto
se faça futuro reto
sem cacofonia
discórdia
ou desafeto
fazendo soar de minha boca
e a todos ouvidos
beleza
amor
e esmero
para que quando no meu peito cair
no fundo do abismo
haja só
uma cama de penas.

J. S. Bueno

(Cena de Waking Life, Richard Linklater, 2001)

(Source: alieng0d)

Nós desafiamos e vencemos o mar, deus, o céu e a terra. Chegamos na lua, em marte, dentro do átomo. Deciframos genomas, curamos doenças, duplicamos o tamanho da vida, clonamos a vida e também acabamos com ela, como se fosse tudo simples, óbvio, feito...

Nós desafiamos e vencemos o mar, deus, o céu e a terra. Chegamos na lua, em marte, dentro do átomo. Deciframos genomas, curamos doenças, duplicamos o tamanho da vida, clonamos a vida e também acabamos com ela, como se fosse tudo simples, óbvio, feito pra acontecer e ainda sim, o amor que é fruto de debates, de mortes, vitórias e histórias, permanece misterioso como sempre ou mais do que nunca. Talvez, pelo menos pra mim, não sei.

Você é uma pessoa, partiremos desse pressuposto. Você tem dores, sente fome, dorme a noite e faz alguma coisa ou coisa nenhuma durante o dia, e mais importante do que tudo, você pensa, certo? Certo. É isto que nos define como Homo Sapiens, está no nome, andamos sobre dois membros, temos polegares e pensamos, isso, H-U-M-A-N-O.

Mas chega uma hora, se é que já não chegou, que enquanto você está fazendo alguma coisa ou nenhuma coisa, andando na rua, lendo jornal no bar, tomando um café ou uma cachaça, tudo isto muda, assim, do nada, depois de um olhar, de uma conversa ou de uma foda. Tudo muda. Você não pensa mais, suas mãos ficam bobas e você está de quatro correndo atrás de alguém, e agora, cadê o humano?   

E nessa hora não há mais teoria que caiba, quando se está amando não se pensa, não tem lógica que faça sentido. Quando você vê já trocou o dia pela noite só pra ficar olhando a lua. Acho que o grande mistério mora aí. Quem não ama não tem como saber pra explicar e quem ama não tem cabeça, nem ciência pra falar. E talvez seja isto o mais bonito, não entender o amor faz dele mais bonito ainda. Do que adianta chegar na lua e não saber o caminho do coração? Eu acho que nada.

Crime passional
é ter que acordar
sem ouvir tua voz
de gralha doce
ao meu lado
assim 
não resta outra saída 
senão
ficar
mais um pouco
lunático.

Então pois diga
que hoje de casa não saio,
diga que
cai de doente,
que
o passa está caro,
que
perdi as chaves,
diga qualquer bobagem,
pois sem o amor
não há nada na vida
que pague
que vale
que calhe.

Acredito que Sócrates sabia de tudo e ainda um pouco mais, mas preferia dizer que não sabia nada porque não entendia o que era amar, sensato homem tomador de cicuta. Muito mais inteligente que eu, escritor maldito às quatro da manhã, escrevendo pra tentar tornar a noite mais curta.

J. S. Bueno

(Imagem, Before Sunrise, Richard Linklater, 1995) 

(via lets-keep-this)

Há tempos venho pensado, gastado vários dos meus poucos neurônios refletindo e tentando buscar um consenso, um síntese, não sei qual seria a melhor palavra que descrevesse um certo entendimento próprio do cenário...

Há tempos venho pensado, gastado vários dos meus poucos neurônios refletindo e tentando buscar um consenso, um síntese, não sei qual seria a melhor palavra que descrevesse um certo entendimento próprio do cenário mundial/nacional/municipal/feicibuquiano; independentemente de qual a palavra possa ser usada, chegar a compreensão alguma não consegui e comecei por aí a pensar que não é fundamental que as coisas façam sentido, até porque as coisas não tem sentido, nós que o criamos, quando, como e se isso nos for interessante, logo isso não é de fato a coisa mais importante do mundo. Um ótimo exemplo disso é o “gostar, nós gostamos de alguém e muitas vezes não sabemos o porquê e isso não importa, porque o "gostar” é bom e ponto, mas aí vem o nosso cérebro e tentar criar “sentido” falando: você gosta de fulanx por causa de X, Y e Z; pode até ser mas não é só isso, não é? .. Mas nós gostamos das pessoas além de seus defeitos/qualidades, tá vendo como o “sentido” não faz tanto ~sentido~ assim?

Sabendo que o “sentido”, principalmente o nosso “sentido” não é necessário, não precisamos impô-lo a ninguém, porque se eu, eu, aquele que criou o “sentido” não precisa dele, por que o outro vai precisar? E aí que entra toda essa crise cósmica/política-econômica/pessoal. Eu vejo muita gente querendo impor as suas verdades, suas convicções, seus dogmas aos outros sem ao menos se perguntar quais são os verdadeiros motivos que o levam a pensar nisso, se isso é necessário, se isso é bom, se isso é justo, enfim uma série de questionamentos que levam mais tempo do que eu demorarei pra escrever este post, mais tempo, talvez, do que temos, mas pensemos, reflitamos, não importa o tempo que demore, mesmo que isso nos cale, pois é melhor o silêncio do que a palavra mal dita.

Não quero dar uma lição de ética e moral, até porque não me sinto tão iluminado assim para servir de exemplo pra nada, além de mau exemplo, é óbvio. A única coisa que eu gostaria com esse post, se é que se pode fazer esse tipo de pedido, é que vocês, eu, minha mãe, meu colega do trabalho, os meus amigos anarquistas, os meus amigos socialistas, os meus conhecidos de direita, a galera do meião ou qualquer outra pessoa que está lendo este post, gostaria que todo mundo refletisse mais sobre si, sobre o universo, sobre a terra, coisas bobas assim mesmo, ao invés de acusar o vizinho, de rebaixar o irmão, de ~zoar~ o coleguinha “direitista ou chatão "esquerdopata”. Vamos parar de gastar energia e somá-las.

Reforço, esse é pedido é pra mim também.

Senti de escrever essa parte final como uma oração, espero que não soe piegas e que não me crucifiquem, isso não é de religião nenhuma, os ateus podem fazer também (brincs) essa oração é pro Eu que todo mundo sabe que existe, né, oras pois.

“Que ao invés de apontar um dedo, eu possa ter a força de abrir meus braços para receber aquele que errou;
Que ao invés de proferir a julgamento do infrator, eu tenha a sabedoria para incentivá-lo ao bem;
Que ao invés de guardar a mágoa, eu tenha a coragem de pedir perdão ou conceder àquele que o pede;
Que ao invés de olhar o erro fora, eu possa ter o foco de ver aquilo que não está certo aqui dentro e corrigir;
Portanto eu me peço e me dou força, sabedoria, coragem e determinação para me melhorar, pois o bem que eu quero pro mundo tem que partir primeiro de mim.

Amém.”

Eu não sei se esse texto fez ~sentido~, risos, mas espero que eles nós faça refletir que já é um ótimo.

Gratidão a você que leu tudo.

Paz e amor a todos

J. S. Bueno

Lá dos idos de 2015

Estou dentro do ônibus indo pra zona sul de São Paulo. Telefone do rapaz ao meu lado toca. A segunda pergunta que ele faz é: Tá chapadão, tá?
Paro e me pergunto, o que me chapa? E agora, eu te pergunto, o que te chapa?
Tem coisas que chapão fácil, é...

Estou dentro do ônibus indo pra zona sul de São Paulo. Telefone do rapaz ao meu lado toca. A segunda pergunta que ele faz é: Tá chapadão, tá?

Paro e me pergunto, o que me chapa? E agora, eu te pergunto, o que te chapa?

Tem coisas que chapão fácil, é fato, um trago do verde, tipo exportação, direto da roça de um mano paraguaio ou gole bem dado na breja gelada depois do trampo duro pago com salário raso no boteco de quinta em plena quarta-feira. Mas tem coisa que é mais, tipo o sorriso daquela mina que nem sabe que tu ta nela e mesmo assim cê fica bobo só de imaginar, tem também o perfume do seu mano, aquele do primeiro encontrou, que até hoje, vários anos depois, te deixa mole quando cê tá nos braços dele. E aquele papo que engrena e vai até às três da manhã numa pracinha e que só para quando os vizinho chia? Esse é loco. E a maresia depois de uma cota sem pisar na praia, é só sentir a areia no pé, o vento no rosto e vrau, pura loucura. Já teve doidera com livro? Aqueles que quando você tá na mão o tempo voa, o dia vira noite, tu passa do ponto do busão e tudo mais? E aquele beijo na testa da sua véia junto com um eu te amo e volta logo, porra, esse é foda. Existe aqueles mais bobos também, igual o cheiro do asfalto, da gasolina, do pão na chapa, brisa boa, leve de sentir. Tem aqueles cheiro de nostalgia, tipo dama-da-noite na lua cheia em rua vazia. Saudades vó.

Eita, se deixasse eu ia longe, mas falando em brisa eu já tive um monte, então deixa eu ir pra não perder meu bonde

J. S. Bueno

(foto do google)

Em mais uma das minhas andanças pela capital paulista percebo como são diversas as vidas que nela habitam. Viajo por dentro dela por quinze minutos e parece que fui de Paris à Faixa de Gaza.
É tanta informação, é tanta notícia, é tanta polícia.
É...

Em mais uma das minhas andanças pela capital paulista percebo como são diversas as vidas que nela habitam. Viajo por dentro dela por quinze minutos e parece que fui de Paris à Faixa de Gaza.

É tanta informação, é tanta notícia, é tanta polícia.
É gente, é carro novo em cima de gente, é carro velho cheio de gente, é gente arrastada por carro.
É lixo, é luxo, é tudo.
É biqueira, joalheria, farmácia.
É templo, é terreiro, é massa.
É desprezo, é amor, é fumaça.
E entre os copos sujos, olha pro céu e disfarça.

Acordo ao som das maritacas, sétimo andar, centrão, brisa a bater e mais nada. Saio, dobro a esquina, desvio da chuva, penso nas vezes que eu passei alí com ela, não sei o que chuva e o que é lágrimas. Chego, me seco e recomponho. Sento numa bela cadeira e o garçom me oferece as quinze opções de pães, mais um dos trinta queijos e a lista segue. Penso, porra, eu sou libriano, que merd*. Escolho o de sempre, pão australiano na chapa. À minha volta, todas pessoas de bem, refugiadas alí no paraíso dos quitutes, quentes, alimentadas, saudáveis, com suas corridas de 10km em dia, com seus filhos bilíngues e suas esposas loiras e coradas. Por segundos se esquece da terra da garoa lá fora e o mendigo que está à porta. Não sei se eu acabo o café ou ele que comigo acaba.

Várias horas depois estou eu na porta do metrô, zona sul, vejo o ônibus que preciso pegar, saio correndo, enfio até a canela na poça, quase caio, a chuva castiga, tenho 10 minutos até a condução sair, entro no boteco em frente ao ponto. Senhores ébrios e mulheres não tão distintas cantam animadamente os clássicos do corno’s music em alto e bom som. Eles sorriem pra mim, sorrio de volta. Peço um rissoles pra me acompanhar na noite fria. Recebo o salgado de antes de ontem como se fosse de hoje, talvez o espirro que o moço deu em cima tenha dado um sabor especial. Aperto o lanche e a gordura escorre, a música aumenta e o meu sorriso também. Pago a conta, 1/5 do valor de hoje cedo. A barriga está cheia, a cabeça também. Subo no ônibus lotado e torço pra não ficar resfriado. Não sei se meu coração aguenta este frio de São Paulo.

J. S. Bueno

(foto do google)

chocolatecakesandthickmilkshakes:

smoke-and-iron:

satans-sock-puppet:

carefreeteee:

theneverlandproject:

iconic

Pro black does not mean anti white.

“I don’t hate you, I just love myself” is one of the most powerful phrases I have ever heard

Pro Black does not mean anti white…So stop being offended by black pride. Quit being so insecure.

Always

(via needstoescape)